Tecnologia obtém corante natural mais estável a partir de resíduos da uva
30 de maio de 2023Pesquisa para Inovação* – Corantes orgânicos podem substituir versões sintéticas e já contam com aplicabilidade em diversas indústrias, incluindo têxtil e alimentícia. Mas um corante natural pode ser instável de acordo com as condições de luz e temperatura do meio em que é aplicado, sendo um desafio estabilizar suas características – processo que, muitas vezes, exige maior gasto de energia e de recursos orgânicos, provocando impactos ao meio ambiente.
Para resolver esse problema, pesquisadores da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) e da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), ambas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desenvolveram uma alternativa mais rápida e natural para a criação de corantes a partir da casca de uva, que contém o componente antocianina, responsável pela cor da fruta.
Maurício Ariel Rostagno, professor da FCA-Unicamp e um dos inventores da tecnologia, destaca que a proposta da tecnologia é 100% ecológica, já que a resina aplicada na purificação pode ser reutilizada por oito ciclos diferentes sem que ocorra a perda de sua eficiência.
“Temos uma proposta que é muito mais saudável para o meio ambiente e para as pessoas. Afinal, corantes sintéticos provocam grande preocupação pelos riscos de alergia e impactos à saúde. E as empresas começam a ser cobradas sobre isso, o que nos leva a ter uma grande demanda de mercado. Procuramos formas mais eficientes e mais verdes para purificar esses compostos, com menor impacto ambiental e custo mais baixo”, comenta Rostagno.
A nova tecnologia é fruto de três projetos apoiados pela FAPESP (18/14582-5, 19/13496-0 e 20/08421-9) e teve pedido de patente depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) pela Agência de Inovação Inova Unicamp, além de um depósito de patente internacional da tecnologia. Resultados dos estudos foram detalhados em artigos publicados nos periódicos Green Chemistry e Food Chemistry.
Segundo os autores dos artigos, o processo é rápido, não emprega solventes orgânicos de alta volatilidade e apresenta resultados muito mais estáveis do que os pigmentos obtidos com a extração de etanol ou água. Além disso, o processo não demanda equipamentos sofisticados ou mão de obra especializada.
“Um ponto importante desse processo é a estabilidade. Conseguimos ter alto rendimento e pureza ao mesmo tempo em que aumentamos a estabilidade dos compostos, tornando-a maior que a dos processos convencionais. Temos uma recuperação acima de 90% dos solventes”, enfatiza o professor da Unicamp.
Cores vivas
Com o novo processo, os corantes naturais atingem uma pureza de 90%, garantindo uma cor viva e mais estável. Os solventes também permitem o uso dos corantes em altas temperaturas, o que amplia as possibilidades de uso pela indústria.
Rostagno também destaca como benefício da nova tecnologia o aproveitamento de resíduos da uva que, muitas vezes, são descartados pelo setor agrícola e que, com o uso para os solventes eutéticos, podem ser aproveitados como matéria-prima industrial, contribuindo para o melhor aproveitamento dos recursos naturais.
“Recuperar esses compostos, que seriam descartados como adubo, gera muito mais valor agregado à produção da uva”, afirma o pesquisador.
O artigo Combining eutectic solvents and pressurized liquid extraction coupled in-line with solid-phase extraction to recover, purify and stabilize anthocyanins from Brazilian berry waste pode ser lido em: pubs.rsc.org/en/content/articlelanding/2023/gc/d2gc04347e.
Já o estudo Combining eutectic solvents and food-grade silica to recover and stabilize anthocyanins from grape pomace pode ser acessado em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0308814622030552.
* Com informações da Inova Unicamp.
Notícias
- Inteligência artificial e imagens de satélite mapeiam telas antigranizo em pomares de maçã
- Parque Científico e Tecnológico da Unicamp inicia construção da Vila das Startups
- Dispositivo simula tecidos humanos e oferece alternativa à experimentação animal
- FAPESP divulga resultado de chamada Auxílio à Inovação Regular
Agenda
-
13/08/2026 a 03/11/2026
Unicamp abre inscrições para formação em mobilidade elétrica -
18/08/2026 a 22/10/2026
Mudanças climáticas e carreiras profissionais -
14 a 19 de setembro de 2026
18º International Conference on Resistive Plate Chambers and Related Detectors -
14/09/2026 a 14/12/2026
IA para aplicações na indústria e nos negócios
Chamadas
-
Chamada de Propostas para o Programa PIPE Jornada Tecnológica 1ª Rodada 2026 – Fase 1
Data limite para apresentação da proposta completa: 28/09 -
Programa FICA-SP (Fixação e Incentivo à Carreira Acadêmica em São Paulo)
Datas limite para submissão de proposta: 30/09 (Ciclo 1) e 26/02/2027 (Ciclo 2) -
Auxílio à Inovação Regular – Iniciação Tecnológica
Data limite para submissão de proposta: 05/10 -
PIPE Jornada Tecnológica Indústria do Futuro – Fase 1
Data-limite para submissão da pré-proposta: 08/10/2026 -
Programa de Apoio à Formação de Núcleos de Excelência
Data limite para submissão da proposta: 16/10 -
Chamada conjunta FAPESP – NWO 2026: Biorrefinarias Integradas para um Futuro Circular
Data limite para submissão da proposta completa: 20/10