Startups apoiadas pelo PIPE-FAPESP recebem treinamento para testar modelo de negócios
19 de março de 2019Maria Fernanda Ziegler | Pesquisa para Inovação – A Alba Sensors and Diagnostics, startup da área de tecnologia da saúde, em Campinas (SP), pretende desenvolver sensores para detectar precocemente o câncer de mama . O método não invasivo lembra uma espécie de teste do bafômetro, que detecta biomarcadores da doença nas moléculas de ar exaladas pelos pacientes.
A ideia se transformou em projeto de pesquisa submetido – e aprovado – na fase 1 do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), cujo objetivo é testar a viabilidade de uma proposta inovadora.
Até 8 de maio, a Alba Sensors and Diagnostics e outras 20 startups participarão da 10ª edição do PIPE Empreendedor - Programa de Treinamento em Empreendedorismo de Alta Tecnologia. Durante o treinamento, as empresas poderão testar a consistência de seus projetos e modelos de negócios ao fazer, pelo menos, 100 entrevistas com potenciais clientes, usuários ou tomadores de opinião.
Nesta edição, um total de 70 startups, com projetos aprovados na fase 1 do PIPE, se candidataram para receber o treinamento que tem como base o programa I-Corps, desenvolvido pelo acadêmico americano Steve Blank e usado nos Estados Unidos pela National Science Foundation (NSF).
“A metodologia ensina o pesquisador a transferir os resultados de pesquisa em startups. É o que chamamos de empreendedorismo baseado em evidências. E as entrevistas com os prováveis usuários são fundamentais para se obter essas evidências”, disse Flávio Grynszpan, membro da Coordenação da Área de Pesquisa para Inovação da FAPESP e um dos coordenadores do programa.
Durante o treinamento, cada startup participante terá sete semanas para realizar as entrevistas com potenciais clientes, usuários, entre outros, e internalizar um novo modelo de negócios.
Os participantes do programa também contam com a orientação de mentores indicados pela FAPESP, capacitados na metodologia. Eles são empresários com experiência de negócios e conhecimento do mercado que acompanham e orientam as equipes participantes do programa – sem qualquer custo para a Fundação.
“Não há dúvida de que os participantes são cientistas capacitados que entendem de toda a parte técnica e científica do projeto. Esperamos, portanto, que o curso ensine uma metodologia que aumente a chance de as futuras empresas darem certo. Para que isso ocorra, é preciso conversar com as pessoas, entender o que potenciais clientes desejam”, disse Grynszpan.
Ao longo do treinamento, a expectativa é que o plano inicial de negócios seja reavaliado ante um maior conhecimento das expectativas do mercado. “É o que chamamos de pivotar. Quanto antes conseguirem definir se vale seguir em frente, desistir ou redefinir a proposta original, melhor”, disse Grynszpan, com base na experiência de treinamento de 210 empresas que já participaram ou estão participando do programa.
O PIPE Empreendedor é coordenado por Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, tendo Grynszpan, Marcelo Nakagawa e Hélio Marcos Machado Graciosa como adjuntos.
Mais informações: www.fapesp.br/pipe/empreendedor.
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