CTI Renato Archer desenvolve microtransformador que coleta energia do meio ambiente
18 de fevereiro de 2020* Um grupo de pesquisadores do Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), está desenvolvendo um microtransformador que, combinado a outros circuitos eletrônicos, permite a dispositivos como sensores, marca-passos e aparelhos auditivos dispensar o uso de baterias e serem alimentados com energia retirada diretamente do ambiente.
O microtransformador tem menos de 1 milímetro (mm) de altura e 4 mm de diâmetro e permite a elevação da tensão aos valores necessários para um aparelho eletrônico de 1 a 5 volts. A tecnologia usa o processo de energy harvesting ou coleta de energia. A ideia é usar a energia solar, térmica ou mecânica, por exemplo, para alimentar dispositivos isolados de dimensões reduzidas.
Um dos coordenadores do projeto, o tecnologista Antônio Telles, explica que, com o crescimento da internet das coisas e o uso de sensores cada vez menores, a demanda para essa tecnologia deve aumentar muito. Ele conta que a iniciativa nasceu de sua tese de doutorado.
“A minha pesquisa é sobre um circuito que trabalha com tensões muito baixas que seriam alimentadas por um termogerador. No CTI, conversando com colegas, houve uma sinergia porque já havia algumas técnicas de encapsulamento de circuitos integrados e módulos multichips que acabaram convergindo para a possibilidade de construir pequenos componentes que seriam utilizados nos sistemas de coleta de energia”, afirmou.
O coordenador do Núcleo de Empacotamento Eletrônico (NEE) do CTI, Ricardo Cotrin Teixeira, explica que a energia coletada do ambiente gera uma tensão insuficiente para o funcionamento de aparelhos eletrônicos. Daí vem a importância do microtransformador em desenvolvimento.
“O transformador pode usar várias fontes conforme o que estiver disponível. Há células solares, termopilhas, que são dois metais soldados que criam tensão a uma certa temperatura. Só que é uma tensão muito baixa e a gente precisa elevá-la para uma condição que seja utilizável. Aí é que entra o transformador”, diz Teixeira.
O pesquisador é associado ao Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP.
“O processo de formação e gravação do filme de ouro que forma a base do microtransformador é o mesmo que é utilizado para a fabricação de sensores biológicos para o CDMF”, disse Teixeira ao Pesquisa para Inovação.
O microtransformador está sendo desenvolvido pelo NEE e pelo Núcleo de Concepção de Sistemas de Hardware (NCSH) do CTI e está na fase de protótipo. A previsão é que esteja disponível para testes no segundo semestre de 2021.
*Com informações da assessoria de imprensa do CTI Renato Archer
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