RCGI amplia o uso de sistema de planejamento urbano que permite projetar cenários
15 de dezembro de 2020Pesquisadores do FAPESP Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI), um dos Centros de Pesquisa em Engenharia (CPEs) apoiados pela FAPESP no Estado de São Paulo, desenvolveram um sistema de representação e gerenciamento de fenômenos urbanos que pode ser uma ferramenta importante para a gestão pública e privada. Inicialmente, o método foi aplicado na construção do Mapa de Vulnerabilidade Energética de Áreas Residenciais da Cidade de São Paulo, lançado em 2017. Atualmente com pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o sistema permite criar mapas sobre diferentes temas, como mobilidade urbana, violência, vulnerabilidade no abastecimento de água, entre outros.
O método foi desenvolvido pela equipe do projeto 28 do RCGI, coordenado pelo geógrafo Luís Antonio Bittar Venturi, professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). O objetivo do grupo é analisar o potencial do uso doméstico de gás integrado com o sistema elétrico na cidade de São Paulo. Os pesquisadores projetaram, por exemplo, um cenário de uso equitativo de gás e eletricidade nas residências da cidade. O mapa indicou que isso diminuiria a vulnerabilidade energética em 11%.
Com o apoio da Agência USP de Inovação (AUSPIN), a equipe decidiu ampliar o uso do sistema e mapear outros temas, ainda sob a ótica do aumento do uso doméstico de gás: impactos na qualidade do ar da cidade; mudanças no custo da energia; viabilidade técnica e comparação entre a vulnerabilidade energética e a social. Os pesquisadores concluíram que haveria um aumento de 2,5% nas emissões de poluentes na atmosfera e um aumento de 7% no custo médio das contas de energia.
Para Venturi, a pluralidade de aplicações do sistema o torna um importante aliado para a gestão urbana. "É possível usá-lo para qualquer fenômeno urbano do qual tenhamos dados mensuráveis, mapeáveis e georreferenciados, em qualquer cidade. Com mapas de vulnerabilidade energética, social ou de abastecimento de água, por exemplo, os gestores podem identificar as áreas que precisam de mais atenção e investimento."
O sistema é composto por três dimensões: teórica, metodológica e técnica. O primeiro passo é identificar pela literatura especializada os indicadores relacionados ao tema de interesse e, em seguida, georreferenciá-los. No caso da vulnerabilidade energética, por exemplo, é preciso considerar dados como densidade de árvores, tempestades, proximidade de hospitais e de grandes avenidas e se a rede é aérea ou subterrânea. "Tudo isso é medido em relação à frequência e duração das interrupções de fornecimento de energia", explica o coordenador do projeto.
Em seguida, os dados são colocados em uma matriz metodológica, a Analytic Hierarchy Process (AHP), na qual são atribuídos diferentes pesos a cada indicador. Por fim, a matriz é inserida em um sistema de informação geográfica, que produz um mapa com classes de vulnerabilidade. O mapa é dinâmico e qualquer alteração nos indicadores ou nos seus pesos pode gerar um novo mapa, possibilitando a projeção de cenários.
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