Poli desenvolve simulador de trem para a Vale
13 de junho de 2017A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) desenvolveu um novo simulador de trem para escoamento da produção da empresa brasileira Vale, uma das maiores mineradoras do país. O sistema será utilizado no treinamento de operadores de trem que transportam produtos das minas para portos nacionais.
Segundo o coordenador do projeto, Roberto Spinola Barbosa, do Laboratório de Dinâmica e Simulação Veicular (LDSV), o sistema utiliza modelos computacionais que simulam os movimentos dinâmicos de um trem, indicam a posição espacial e fornecem dados topográficos da região por onde passa.
O projeto do simulador teve início em 2008 e a terceira geração deverá ser entregue este ano com aperfeiçoamentos gráficos. O investimento foi da ordem de R$ 4 milhões. “A terceira versão do simulador está mais completa e com mais funcionalidades. Toda a parte gráfica está sendo revista de forma a obter imagens com maior resolução para passar mais sensação de realidade aos maquinistas em treinamento”, disse o pesquisador.
Uma das principais inovações do simulador está na implementação do modo multiplayer ou multiusuário, que permite treinar o maquinista em uma malha ferroviária completa. Outra novidade é a conexão com a internet: um instrutor de São Paulo pode treinar um maquinista que está em Vitória (ES) ou um profissional que está em Belo Horizonte (MG) pode programar e acompanhar uma simulação com um operador que está em Moçambique.
Três laboratórios da Poli atuam no projeto de desenvolvimento e aprimoramento do simulador: o Laboratório de Dinâmica e Simulação Veicular (coordenação), o Laboratório de Automação e Controle (LAC) e o Tanque de Provas Numérico (TPN). Os simuladores foram desenvolvidos com recursos da Vale e a propriedade intelectual é compartilhada – 50% da empresa e 50% da Poli.
O simulador é uma cópia exata da parte interna de uma cabine da locomotiva: tem o painel e todos os comandos existentes em uma locomotiva, como acelerador e freio. Telas no que seriam as janelas mostram o cenário em 3D percorrido pelo maquinista no treinamento. Há telas na frente, lateral e na parte traseira, cada uma mostrando as imagens de acordo com a perspectiva real que um maquinista teria numa cabine real, permitindo uma visão 360 graus da imagem. O simulador está sendo utilizado para as operações da Vale, mas poderá ter outras aplicações. “Podemos desenvolver um simulador para trem de passageiros ou para metrô. Precisamos de aporte financeiro para custear um projeto desse tipo”, disse Barbosa.
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