Centro de Inspeção Robótica da Autaza, uma empresa apoiada pelo PIPE-FAPESP, incubada no Parque de Inovação Tecnológica São José dos Campos (foto: Phelipe Janning/Agência Fapesp)

FAPESP destina R$ 25 milhões para apoiar o desenvolvimento tecnológico da indústria do futuro

22 de setembro de 2026

Elton Alisson | Pesquisa para Inovação – A FAPESP lançou uma nova chamada do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) para apoiar o desenvolvimento de tecnologias para a indústria do futuro. Com aporte de R$ 25 milhões em recursos não reembolsáveis, a iniciativa tem como objetivo financiar a execução de pesquisas científicas e tecnológicas em pequenas empresas e startups sediadas no Estado de São Paulo. Cada proposta selecionada poderá receber até R$ 500 mil, abrangendo um período de execução de até 12 meses.

A chamada é voltada ao início do desenvolvimento de projetos de pesquisa para inovação que representem desafio tecnológico de interesse da própria empresa, de um cliente ou do mercado.

Além de contemplar projetos em qualquer grau de maturidade tecnológica – desde soluções incrementais até inovações radicais –, a chamada traz como premissa o fortalecimento de toda a cadeia de suprimentos. “A inovação industrial não ocorre apenas no produto final, mas em todos os elos do processo produtivo. Se uma startup ou pequena empresa pretende desenvolver um equipamento que será inserido em um sistema mais complexo de indústria 4.0 [de integração de tecnologias], por exemplo, ela pode submeter um projeto para essa chamada”, diz o coordenador de Tecnologias e Parcerias em Inovação da FAPESP, Rodolfo Azevedo, em entrevista ao Pesquisa para Inovação.

O edital abrange uma ampla diversidade de eixos tecnológicos estratégicos com o objetivo de contribuir para aumentar a eficiência, a sustentabilidade e a autonomia tecnológica de setores industriais cruciais, como o aeronáutico, o automotivo e o de bens de capital, além de impulsionar a modernização de infraestruturas críticas de saneamento e logística.

No âmbito da manufatura avançada e da robótica colaborativa, o edital apoia soluções de automação flexível, integração de robôs colaborativos e manufatura aditiva voltadas ao desenvolvimento de peças complexas e prototipagem. Paralelamente, incentiva a criação de gêmeos digitais (digital twins) – réplica virtual exata de um objeto, processo, sistema ou serviço físico – e de modelos computacionais voltados não apenas para a otimização de linhas de produção e simulação de desempenho, mas também para a gestão de ativos industriais e de infraestrutura.

A pesquisa em novos materiais e nanotecnologia abrange o desenvolvimento de compósitos (estruturas formadas pela combinação de materiais), ligas leves, cerâmicas avançadas e polímeros de base biológica (biobaseados). Além de explorar novos materiais, o edital contempla o avanço de componentes microeletrônicos estratégicos. Na área de sensores e instrumentação industrial, busca a medição de alta precisão, o controle de qualidade em tempo real e o desenvolvimento de sensores projetados para operar em ambientes hostis, apertados ou insalubres, marcados pela presença de produtos químicos pesados ou gases industriais.

O edital abrange também a eficiência energética e as máquinas inteligentes, estimulando motores de alto rendimento, sistemas de recuperação de energia térmica e máquinas operatrizes desenhadas para reduzir o consumo energético. No universo das tecnologias habilitadoras, a chamada prioriza soluções em internet das coisas industrial (IIoT), computação de borda (edge computing – arquitetura de tecnologia da informação que processa e armazena dados localmente), realidade aumentada para suporte à manutenção e inteligência artificial aplicada à otimização logística e à engenharia de superfícies. A chamada também inclui áreas de fronteira tecnológica, como nanofabricação, materiais semicondutores avançados e tecnologias quânticas.

Por fim, o edital contempla um eixo de divulgação científica aplicada à indústria, cujo propósito é apoiar startups que criem novos produtos e processos para comunicar o conhecimento científico sobre a indústria do futuro e novos materiais estratégicos. A meta é aplicar estratégias inovadoras baseadas em análise de dados, inteligência artificial e ferramentas do jornalismo para conectar as pesquisas desenvolvidas em projetos da FAPESP, como Auxílios Temáticos, Jovem Pesquisador, Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) e Centros de Pesquisa Aplicada (CPAs), a órgãos do setor e diferentes grupos da sociedade. "Queremos financiar startups que façam divulgação científica e que tenham tecnologias voltadas para a indústria", reforça Azevedo.

Diagnóstico do ecossistema

A escolha da temática da chamada, voltada à indústria do futuro, responde diretamente a um diagnóstico detalhado do ecossistema paulista de inovação realizado pela FAPESP. Segundo Azevedo, o mapeamento dos projetos apoiados revelou uma forte concentração de demandas na área. "Fizemos um mapeamento dos lugares onde há projetos com apoio do PIPE no Estado de São Paulo e o conceito de indústria 4.0 é o terceiro tema com mais submissões ao programa", revela o coordenador.

Embora setores como inteligência artificial, hardware e materiais avançados apresentem um volume expressivo de propostas, o gestor destaca que campos como robótica, IoT e sensores ainda dispõem de amplo espaço para expansão no Estado de São Paulo.

Requisitos para submissão

Podem concorrer pequenas empresas com até 250 empregados que possuam sede ou unidade física de pesquisa e desenvolvimento no Estado de São Paulo, não sendo aceitos endereços virtuais. O edital também permite a participação de startups em fase de formalização, registradas sob o regime Inova Simples ou configuradas como empresas a constituir. Para evitar qualquer descontinuidade no avanço da pesquisa, as empresas contempladas poderão submeter uma proposta de PIPE Fase 2 Indireta a partir do oitavo mês de execução da Fase 1.

A proposta deve ser liderada por um Pesquisador Responsável (PR), que precisa ser sócio da empresa, residir em São Paulo e dedicar no mínimo 24 horas semanais ao projeto (respeitando o teto de 40 horas semanais no somatório de suas atividades). Caso o PR não detenha todos os conhecimentos técnicos críticos, é permitida a inclusão de até dois Pesquisadores Principais (PP). Os PPs devem possuir vínculo formal com a empresa, residir no Estado e dedicar pelo menos 24 horas semanais, sendo vedada a indicação de estudantes de mestrado ou doutorado acadêmico para esta função. Todos os membros da equipe devem residir e atuar em território paulista.

O financiamento de até R$ 500 mil abrange materiais de consumo e permanentes, serviços técnicos prestados por pessoas jurídicas, despesas de transporte e diárias para pesquisa de campo, além de consultorias especializadas limitadas ao teto de R$ 50 mil. O orçamento também contempla a concessão de Bolsas de Pesquisa em Pequena Empresa (PE) – exigindo dedicação exclusiva de 40 horas semanais e ausência de outros vínculos remunerados – e de Bolsas de Treinamento Técnico (TT). Toda a propriedade intelectual gerada no âmbito do projeto pertencerá exclusivamente à empresa apoiada.

Etapas de submissão

O processo de seleção está estruturado em duas etapas. A primeira consiste no envio da Proposta Simplificada para enquadramento na modalidade, cujo prazo final de submissão é 8 de outubro. A FAPESP alerta que o cadastramento de novas empresas no sistema deve ser solicitado com pelo menos dois dias úteis de antecedência em relação ao encerramento da chamada. Os proponentes cujos projetos forem enquadrados serão convidados a apresentar a Proposta Completa até 9 de dezembro de 2026. A divulgação dos resultados finais está prevista para ocorrer a partir de abril de 2027.

Todo o procedimento de candidatura é realizado exclusivamente on-line pelo Sistema de Apoio à Gestão (SAGe) da FAPESP, acessando o menu: Programas de Inovação Tecnológica > PIPE-JT – Fase 1 > Indústria do Futuro - Chamada de Propostas (2026).

Para auxiliar os pesquisadores e empreendedores no correto preenchimento dos formulários e no entendimento das diretrizes do programa, a FAPESP disponibiliza gravações de vídeos de eventos anteriores da Jornada Tecnológica, que explicam detalhadamente as regras gerais e a transição para a segunda fase.

A chamada de propostas está publicada em: fapesp.br/18349.

Mais informações: pipe-jornada@fapesp.br.