Material biodegradável potencializa aplicação de fertilizantes em mudas
07 de junho de 2022* Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um material biodegradável que libera nutrientes de forma lenta e prolongada, favorecendo a produção e o crescimento de plantas. A tecnologia otimiza trabalho e tempo, gerando economia e reduzindo a liberação de resíduos.
Feito a partir da fibra de celulose extraída do bagaço da cana-de-açúcar, o invento tem a aparência de um papel e carrega três macronutrientes essenciais para o desenvolvimento de qualquer tipo de planta: nitrogênio, fósforo e potássio. É biodegradável por sofrer decomposição natural ao entrar em contato com o ambiente.
O método foi registrado como patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), com o apoio da Agência de Inovação (AIn) da UFSCar, e é inédito para esse tipo de uso.
O material foi desenvolvido durante o doutorado de Lucas Luiz Messa, conduzido na USP de Pirassununga com Bolsa da FAPESP e orientação de Roselena Faez, docente no Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação do campus de Araras da UFSCar.
A espessura do papel varia de 0,12 a 0,21 milímetro, sendo possível usá-lo como embalagem, na produção e no transporte de mudas, descartando o uso de plásticos ou potes, e também de forma fragmentada, em pequenos pedaços, para promover o crescimento e a nutrição de plantas já em solo.
No mercado, já existem fertilizantes de liberação lenta e prolongada, além de materiais biodegradáveis para acomodar as plantas. "Mas essas duas características em um só produto são a novidade da tecnologia", assegura Faez.
O método de obtenção é simples, porque o bagaço da cana – matéria-prima abundante e de baixo custo – tem de 40% a 44% de celulose para extração. Além disso, o processo de produção não usa solventes e não gera resíduos. Após essa etapa, são incorporados os macronutrientes. A quantidade exata de cada um varia de acordo com a demanda da planta.
O produto permite também a inserção de micronutrientes, como magnésio, cobre, ferro e zinco, importantes em menor quantidade e em outras etapas de crescimento, sendo necessários estudos prévios e detalhados de cada espécie. E, por ser biodegradável, em aproximadamente 45 dias o material sofre decomposição natural, sem impacto ao ambiente ou prejuízos às plantas.
"Geralmente, em um estágio de 40 dias, elas já criaram novas raízes e, assim, suporte para seguirem crescendo dali em diante", relata a docente da UFSCar.
Atualmente, esse processo de nutrição é feito com fertilizantes adicionados no solo de forma manual. "O agricultor já insere nutrientes em excesso, porque são sais solúveis. Com as chuvas, podem ser levados para rios e lagos. Isso gera, além de desperdícios, prejuízos econômicos e ambientais", explica Faez.
Outra vantagem do novo método é o custo baixo, de R$ 0,27 por grama de embalagem, algo interessante e viável para pequenos produtores de agricultura familiar. "Em vez de reaplicar o fertilizante de duas a até quatro vezes num determinado período [45 dias], o produtor só usa o material uma vez, até a sua biodegradação natural. A planta está recebendo os nutrientes necessários para se fortalecer sem desperdícios. Isso é vantajoso principalmente para o pequeno produtor, que geralmente trabalha sozinho ou com equipe pequena, porque pode dedicar esse tempo a outras atividades", afirma.
Por ser facilmente modulada, a tecnologia atende várias áreas da agricultura – de horticultura e floricultura a culturas de ciclos mais longos, como, por exemplo, em restaurações florestais. "É possível inseri-la em mudas de eucalipto, por exemplo, com os nutrientes necessários. Esse, aliás, é um de nossos estudos em andamento e as perspectivas são boas", adianta Faez.
A tecnologia está disponível para comercialização. Empresas e pessoas interessadas em licenciar a patente podem entrar em contato com a Agência de Inovação da UFSCar, pelo e-mail inovacao@ufscar.br.
* Com informações da Assessoria de Imprensa da UFSCar.
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