FAPESP destina R$ 25 milhões para inovações em software e hardware
16 de junho de 2026Elton Alisson | Pesquisa para Inovação – Com foco em fomentar a independência tecnológica do país, a FAPESP lançou a chamada PIPE Jornada Tecnológica Soberania Digital – Fase 1 , voltada a pequenas empresas e startups paulistas capazes de transformar desafios complexos em software e hardware em soluções inovadoras de escala global.
Com um aporte total de R$ 25 milhões, a iniciativa busca integrar o ecossistema paulista na vanguarda de áreas estratégicas, como computação quântica, semicondutores e cibersegurança, oferecendo não apenas recursos não reembolsáveis, mas um ambiente propício para converter incertezas científicas em produtos e processos disruptivos.
Conforme detalhado pelo coordenador de tecnologias e parcerias de inovação da FAPESP, Rodolfo Azevedo, a iniciativa vai além do financiamento tradicional: ela desafia empreendedores a provarem que, por trás de cada linha de código ou protótipo de hardware, existe um "desafio tecnológico" capaz de desafiar o estado da arte e responder às demandas urgentes de uma sociedade hiperconectada.
"Se o interessado em submeter um projeto já sabe fazer tudo e como vai funcionar, ele não tem um desafio tecnológico, então não tem um projeto adequado para o PIPE. O programa financia desafio tecnológico", explicou Azevedo durante um evento on-line realizado no dia 10 de junho para esclarecer dúvidas sobre a chamada.
Para participar, as empresas devem estar sediadas no Estado de São Paulo e possuir até 250 funcionários, sendo possível a submissão por proponentes que ainda não possuem empresa constituída, desde que o pesquisador responsável seja um dos sócios.
Cada projeto pode receber até R$ 500 mil em financiamento, com duração de 12 meses. O processo de submissão via sistema SAGE, da FAPESP, exige atenção aos prazos: as pré-propostas devem ser enviadas até a próxima quarta-feira (24/06), seguidas pela apresentação da proposta completa para os projetos enquadrados até 24 de agosto de 2026.
Azevedo orientou que os proponentes iniciem os cadastros no sistema o quanto antes, especialmente no caso de empresas ainda não registradas na base da FAPESP. "Faça o seu cadastro o quanto antes. Levamos, pelo menos, 48 horas para validarmos o cadastro das empresas", alertou o coordenador.
Eixos temáticos
A chamada abrange sete eixos temáticos. O eixo de Inteligência Artificial Aplicada e Generativa inclui o desenvolvimento de modelos e algoritmos voltados à automação de serviços complexos, personalização do ensino, ferramentas de suporte à decisão clínica e a otimização de fluxos financeiros. O foco é a criação de sistemas inteligentes que melhorem a produtividade e a tomada de decisão em ambientes de alta complexidade.
Já o tema de Microeletrônica e Semicondutores abrange desde o design até a fabricação de chips e circuitos integrados. O interesse da FAPESP reside no hardware para a indústria local, dispositivos de internet das coisas (IoT) e componentes de infraestrutura de redes. O objetivo é apoiar empresas que atuam na base da pirâmide tecnológica, criando hardware nacional que seja robusto e capaz de sustentar as inovações em softwares do futuro.
Já o campo de Conectividade e Cidades Inteligentes é voltado para o desenvolvimento de hardware e software necessários para a consolidação da quinta geração de internet móvel (o 5G) e as futuras gerações de conectividade (como o 6G). Inclui a integração de satélites, gestão urbana eficiente baseada em fusão de dados de sensores e visão computacional. “É um eixo que busca transformar metrópoles em espaços mais eficientes, seguros e conectados por meio da tecnologia”, explicou Azevedo.
Já o tópico de Tecnologias Quânticas e Sensores inclui a criptografia pós-quântica (essencial para a segurança do futuro contra ataques de computadores quânticos), sensores quânticos de alta precisão para metrologia e sistemas avançados de geolocalização. É o espaço para empresas que estão na fronteira da física aplicada.
O eixo de Cibersegurança e Proteção de Dados foca em arquiteturas de segurança como Zero Trust (confiança zero – uma abordagem estratégica de segurança cibernética que opera sob o lema "nunca confie, sempre verifique), privacidade de dados, blindagem de infraestruturas críticas (energia, água, telecomunicações) e ferramentas avançadas para combate a fraudes digitais, que utilizam análise de dados em tempo real para mitigar riscos financeiros e operacionais.
Por sua vez vez, as Tecnologias Habilitadoras englobam computação em nuvem (cloud), edge computing (processamento próximo à fonte do dado), fotônica, processamento de linguagem natural, blockchain para registro seguro de informações e computação de alto desempenho (HPC). “Se a sua empresa produz o ‘motor’ que viabiliza outras inovações, este é o campo para submissão”, disse Azevedo.
Uma inovação nas chamadas do PIPE Jornada Tecnológica, o tópico de Divulgação Científica busca novas formas de comunicar o conhecimento científico e tecnológico para a sociedade. O interesse é apoiar o desenvolvimento de produtos e processos — como novas plataformas, ferramentas de jornalismo de dados ou estratégias gamificadas — que traduzam temas complexos como soberania digital e IA para diferentes públicos, utilizando o próprio projeto de pesquisa da empresa como caso de teste.
“Essa estrutura de eixos temáticos permite que startups não apenas resolvam problemas imediatos de mercado, mas também se posicionem dentro do ecossistema de infraestrutura tecnológica que o Estado de São Paulo pretende consolidar nos próximos anos”, avaliou Azevedo.
Estruturação da equipe
Um dos diferenciais do programa é a flexibilidade no uso da reserva técnica, que pode ser utilizada para pagar taxas de incubação em instituições credenciadas ou para investimento em capacitação. Contudo, a estruturação da equipe é um ponto de avaliação crítico.
"É importante ter um perfil realista sobre a sua capacidade de contratação, seja na sua região ou no círculo que você consegue alcançar", pontuou Azevedo, destacando que a equipe deve ser composta por membros que residam no Estado de São Paulo e possuam dedicação horária compatível com a execução das atividades.
Para evitar a descontinuidade após a Fase 1, a empresa poderá submeter a Fase 2 Indireta a partir do 8º mês do projeto, conforme as regras vigentes no momento da submissão.
A coordenação recomenda que os interessados consultem o edital completo (fapesp.br/18203) e o FAQ disponível no portal da FAPESP para sanar dúvidas operacionais antes da submissão.
Ao preencher os campos adicionais da pré-proposta, o proponente deve descrever o problema, a incerteza técnica e a oportunidade de mercado com clareza, mantendo a cautela ao redigir o resumo público. Como ressaltado por Azevedo, o resumo será divulgado no site da FAPESP caso o projeto seja aprovado, sendo essencial que a empresa proteja seus diferenciais competitivos proprietários, o "pulo do gato" do negócio, durante a redação.
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Chamada de Propostas para o Programa PIPE Jornada Tecnológica Agro – Fase 1
Data limite: 17/06 -
Chamada FAPESP, Fundação Bracell e Fundação Itaú: Auxílio à Pesquisa para o Fortalecimento da Educação na Pré-Escola
Data limite: 19/06 -
Chamada FAPESP e NWO (Países Baixos): Biorrefinarias Integradas para um Futuro Circular
Data limite: 23/06 -
Chamada de Propostas para o Programa PIPE Jornada Tecnológica Soberania Digital – Fase 1
Data limite: 24/06 -
Chamada FAPESP e National Research Foundation of Korea
Data limite: 30/06 -
Chamada de Propostas – Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP)
Data limite da fase 2 (municipal): 06/07/2026