Com submissões abertas até 22 de maio, modalidade foca em empresas de base tecnológica e introduz processo simplificado de seleção com pré-propostas (imagem: Tyli Jura/Pixabay)

FAPESP destina R$ 25 milhões para inovação em saúde na nova chamada do PIPE Jornada Tecnológica

05 de maio de 2026

Elton Alisson | Pesquisa para Inovação – A FAPESP anunciou o lançamento da segunda chamada do PIPE Jornada Tecnológica, desta vez com foco exclusivo no setor de saúde. Com aporte total de R$ 25 milhões, a iniciativa visa apoiar empresas paulistas — inclusive as que ainda não foram constituídas — no desenvolvimento de soluções de alta tecnologia para desafios globais de saúde humana e animal, com foco em autonomia tecnológica. Cada projeto selecionado poderá receber até R$ 2 milhões para execução em 12 meses.

Uma das novidades do edital é a pré-proposta. Para facilitar a submissão de propostas ao fomento, a FAPESP exige inicialmente um documento simplificado de aproximadamente três páginas, focando no problema de mercado, incerteza técnica e equipe.

“São propostas mais curtas e objetivas que passarão por uma triagem inicial. Caso a pré-proposta seja aprovada, o proponente terá mais tempo para submeter, em uma segunda etapa, uma proposta mais completa”, explicou Paulo Schor, gestor de pesquisa para inovação da FAPESP, durante um evento on-line realizado na última quarta-feira (29/04) para esclarecimento da chamada.

Diferente de outras modalidades, o PIPE Jornada não exige um nível de maturidade tecnológica (TRL, na sigla em inglês) predefinido, mas é rigoroso quanto à existência de um desafio real de pesquisa.

O desafio tecnológico é definido como um problema central, sem solução no estado da arte, com risco técnico real, que exige pesquisa e desenvolvimento para gerar inovação, explicou Schor.

"Não é um projeto de montagem de quebra-cabeça com peças conhecidas. Tem que existir um risco tecnológico, uma pergunta de pesquisa sem solução no estado da arte", ponderou.

Áreas de interesse

A chamada abrange cinco eixos principais: biotecnologia, fármacos e imunobiológicos; tecnologias assistivas e dispositivos médicos; saúde mental; diagnóstico e medicina de precisão; e dispositivos de monitoramento e terapia.

Entre as tecnologias que se enquadram nesses eixos estão vacinas, proteínas recombinantes, sistemas de drug delivery, órteses, próteses, ferramentas de pré-diagnóstico, monitoramento e intervenção terapêutica, análise genômica e instrumentação biomédica.

“São várias tecnologias que já existem em um número grande nos projetos PIPE já submetidos à FAPESP e que queremos estimular mais, com qualidade”, sublinhou Schor.

Outros dois eixos da chamada são tecnologias habilitadoras (como inteligência artificial, robótica e computação quântica) e estratégias inovadoras de comunicação e jornalismo científico, que foram incluídas como temas transversais.

“A ideia é estimular a criação de um novo produto ou processo para comunicar o conhecimento científico em saúde e bem-estar para diferentes grupos da sociedade por meio de estratégias inovadoras de comunicação, com o uso de dados e ferramentas de jornalismo”, exemplificou Schor.

Governança dos projetos

O valor máximo de financiamento por projeto é de R$ 500 mil (incluindo bolsas de Treinamento Técnico e bolsas de Pesquisa em Pequena Empresa), com duração de até 12 meses. A dotação total da chamada é de R$ 25 milhões.

Os projetos devem ser executados em empresas sediadas no Estado de São Paulo, e o responsável pelo projeto perante a FAPESP deve ser sócio-administrador da empresa e residir no estado durante a execução do projeto. Caso o pesquisador responsável não detenha os conhecimentos críticos necessários à execução do projeto, poderão ser indicados até dois pesquisadores principais, membros da equipe, que deverão dedicar de 24 a 40 horas semanais para sua execução e não podem estar matriculados no mestrado acadêmico ou doutorado.

Toda a equipe e os bolsistas envolvidos no projeto devem, obrigatoriamente, residir e realizar a pesquisa no Estado de São Paulo. O uso de infraestrutura de terceiros é permitido, desde que a inteligência estratégica e a coordenação do projeto permaneçam dentro da empresa proponente. “A pesquisa tem que ser feita na empresa”, sublinhou Schor.

Apoio à incubação e estrutura

Para fortalecer o ecossistema de empreendedorismo, a chamada permite que o proponente utilize recursos da reserva técnica para o pagamento de taxas de incubação, sem a necessidade de autorização prévia da FAPESP, além de até R$ 10 mil para capacitação empreendedora em incubadoras credenciadas pela Fundação, cuja lista será divulgada em breve.

Segundo a coordenação do programa, a medida visa reduzir a burocracia e garantir que as empresas iniciantes tenham o suporte infraestrutural necessário para o sucesso do projeto durante a fase de pesquisa.

As pré-propostas devem ser submetidas até 22 de maio, com prazo para apresentação da proposta completa para as enquadradas até 22 de julho de 2026.

A chamada está publicada em: fapesp.br/18131.

Mais informações: pipe-jornada@fapesp.br.