Startup quer reflorestar 1 milhão de hectares na Mata Atlântica e na Amazônia
14 de outubro de 2025Elton Alisson | Pesquisa para Inovação – Ao longo dos últimos 26 anos à frente do Programa de Adequação Ambiental e Agrícola de Propriedades Rurais do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (LERF) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), o professor Ricardo Ribeiro Rodrigues e sua equipe conseguiram atingir a marca de mais de 60 mil hectares de áreas florestais em processo de recuperação no país.
O feito, que representa uma das maiores e mais longevas experiências em restauração florestal no Brasil, contudo, está muito aquém do total da área que precisa ser reflorestada no país, avalia o cientista.
“Esse número de 60 mil hectares de floresta que conseguimos restaurar em todo o país é muito representativo para o nosso programa, mas, se pensarmos na escala do Brasil, é muito pouco. O país precisa recuperar 12 milhões de hectares com floresta. Por meio do programa, só atingimos 0,5% dessa meta”, disse Rodrigues em palestra durante o Fórum Brasil-França “Florestas, Biodiversidade e Sociedades Humanas”, que ocorreu entre os dias 1º e 2 de outubro, no auditório da FAPESP.
A fim de tentar aumentar a escala da restauração florestal no país, Rodrigues, em parceria com outros cientistas brasileiros com experiência na área, aderiu há três anos à proposta de uma startup brasileira, fundada por fundos de investimentos como a Lanx Capital, de Marcelo Medeiros e Marcelo Barbará, o BW, family office dos Moreira Salles, a Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e a Dynamo.
Batizada de Re.green, o objetivo da empresa é restaurar 1 milhão de hectares na Mata Atlântica – o bioma mais degradado do país – e na Amazônia e, dessa forma, capturar 15 milhões de toneladas de carbono por ano.
“Aderi à iniciativa, junto com colegas como o professor Pedro Brancalion [também da USP], e levei os melhores integrantes da minha equipe”, disse.
De acordo com Rodrigues, na Amazônia o foco é no chamado “Arco do Desmatamento” – área de 500 mil quilômetros quadrados (km²) onde a maior parte do desmatamento ocorre, estendendo-se do oeste do Maranhão, passando pelo sul do Pará, Mato Grosso, Rondônia e Acre. “Pretendemos transformar o arco do desmatamento em arco da restauração”, afirmou Rodrigues.
Uma das formas de remuneração dos investidores da startup é pela venda de créditos do carbono sequestrado pelas áreas reflorestadas.
“Fazemos a conta de quanto cada restauração florestal acumula de carbono e vendemos essa adicionalidade”, explicou Rodrigues.
A metodologia para elaborar esse cálculo é baseada nos resultados de um projeto apoiado pela FAPESP, coordenado por Brancalion e do qual Rodrigues foi um dos pesquisadores principais, em que avaliaram o nível de estocagem de carbono em florestas restauradas em diferentes modelos e condições de reflorestamento.
Para realizar o trabalho, os pesquisadores analisaram 800 parcelas de floresta, distribuídas por toda a Mata Atlântica, com uma amostragem de 70 mil árvores de 1.200 espécies. Os resultados dos estudos indicaram que as porções de floresta degradada acumulam carbono em volume quase semelhante ao de floresta conservada.
“Por isso é muito interessante incentivarmos esse tipo de restauração florestal para fins econômicos, como a gente chama, porque elas permitem acumular muito carbono”, avaliou Rodrigues.
Uso de espécies nativas
Para realizar os projetos, a startup compra ou arrenda fazendas com terras originalmente de floresta que foram convertidas em pastagens e remunera os proprietários pela concessão dessas áreas restauráveis.
Um modelo desenvolvido no laboratório de Rodrigues avalia qual o melhor modelo de restauração das áreas adquiridas.
“Para cada fazenda, temos a possibilidade de aplicar 60 modelos diferentes de restauração, levando em conta fatores como o potencial de regeneração natural, de estocagem de carbono, comercialização de produtos madeireiros extraídos de maneira sustentável, prestação de serviços ecossistêmicos e nível de mecanização”, detalhou Rodrigues.
A restauração é feita com espécies nativas brasileiras, como o jequitibá-rosa (Cariniana legalis), o jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra), o ipê-roxo-de-bola (Handroanthus impetiginosus) e o pau-brasil (Paubrasilia echinata), cultivadas no viveiro de mudas Bioflora, localizado em Piracicaba. A empresa foi apoiada pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP (leia mais em https://pesquisaparainovacao.fapesp.br/536).
O viveiro, que produz hoje 2,5 milhões de mudas por ano de espécies nativas brasileiras, foi fundado em 1998 por uma equipe que hoje faz parte da startup, liderada por Rodrigues, e foi incorporado pela Re.green em 2021. “Conseguimos estimar os níveis de estoque de carbono para cada espécie nativa que cultivamos, em diferentes idades e ambientes, a fim de mostrar que a silvicultura também pode ser uma fonte de retorno interessante para os investidores nesses projetos de restauração florestal”, afirmou Rodrigues.
Atualmente, a empresa possui 16,5 mil hectares de área em restauração e 16,9 mil em conservação. O primeiro projeto de restauração na Amazônia foi iniciado em outubro de 2023 em uma propriedade única com 8.427 hectares restauráveis, situados nos Estados do Maranhão e do Pará. “Esse é o maior projeto de restauração de área contínua na América do Sul”, afirmou Rodrigues.
As primeiras análises dos resultados dos projetos em andamento indicaram que, com os modelos de restauração desenvolvidos pela empresa, tem sido possível acumular nas áreas reflorestadas 14% a mais de estoque de carbono do que o estimado inicialmente.
Palavras-chave:
CHAMADAS
Chamada conjunta FAPESP-ANII para intercâmbio de pesquisadores em Oceanografia entre Uruguai e São PauloData-limite para submissão de propostas: 23/01 Chamada Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) – Ciências Exatas e da Terra e Engenharias
Data-limite para submissão de pré-propostas: 27/01 Centros Urbanos - Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais
Data-limite: 30/01 SPRINT 2025
Data-limite: 23/02 Chamada FAPESP no âmbito do Consórcio Genomas de São Paulo
Data-limite: 03/03 Programa Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCD)
Data-limite: 27/02 Chamada de Propostas para o Programa PIPE FAPESP em parceria com a PRODESP - 2025
Data limite: 02/03 Chamada de Propostas de Redes FAPESP de Colaboração em Pesquisa em Transição Energética
Data limite: 16/03 Cooperação São Paulo-Espanha para Projetos de Pesquisa e Inovação: Segunda Chamada de Propostas 2025-26
Prazo: 31/03 Chamada FAPESP – Secretaria de Turismo (SETUR-SP)
Prazo: 01/04 Chamada de Propostas de Redes FAPESP de Colaboração em Ciência da Computação com Inteligência Artificial
Data limite: 08/04 Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE)
Fluxo contínuo PIPE-FAPESP Transferência de Conhecimento (PIPE-TC)
Fluxo contínuo BBSRC Pump-Priming Award (FAPPA) - Biotecnologia
Fluxo contínuo
AGENDA
19 a 23/016º Curso de Verão ICTP-SAIFR para Professores de Ensino Médio
Instituto Sul-Americano para Pesquisa Fundamental - São Paulo 19 a 23/01
Tardes de Férias do Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP
Centro de Divulgação Científica e Cultura da USP - São Carlos 26 a 28/01
Reunião de Usuários de Nêutrons no Brasil
Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - São Paulo 26 a 29/01
Engenharia de Prompt para Pesquisadores e Acadêmicos
On-line 27/01
Governança no Agronegócio
FGV - São Paulo 30/01
AgroTech Expo 5.0: Inovação e Tecnologia na Agricultura
Esalq - Piracicaba Até 30/01
Programação de Férias do Parque Cientec 2026
Parque Cientec - São Paulo 07 a 11/02
18º Congresso Paulista de Saúde Pública
Faculdade de Saúde Pública, Escola de Enfermagem e Faculdade de Medicina da USP - São Paulo 09/02 a 10/03
Python: do básico ao avançado com estudos de caso
Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação - USP câmpus São Carlos (on-line)
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