UFSCar cria sistema portátil de purificação de água

18 de dezembro de 2018

Um grupo de pesquisadores, técnicos e estudantes vinculados ao Departamento de Engenharia Mecânica (DEMec) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveu um sistema portátil e inovador de purificação de água, capaz de produzir até 4.320 litros de água potável por dia, abastecendo uma família ou, em alguns casos, pequenas comunidades, de acordo com informações da Coordenadoria de Comunicação Social da UFSCar.

O projeto de extensão "Avaliação da qualidade da água de diferentes sistemas de filtração compactos para uso doméstico", coordenado por Fernando Guimarães Aguiar, docente do DEMec, surgiu de demanda apresentada à universidade no final de 2017 pela Companhia Coral de Investimentos e pela empresa Água Boa.

As empresas haviam adquirido um nanofiltro de fabricação alemã e tinham interesse em desenvolver o sistema de purificação a partir desse filtro. "O nanofiltro é o grande diferencial do nosso sistema, com 100% de eficiência na remoção de vírus e bactérias. Mas não basta ter o filtro. O processo de purificação precisa ser realizado em etapas, desde a remoção de materiais maiores como pedras até a etapa da ultrafiltração e, além disso, havia outros desafios a equacionar", conta Aguiar.

Tais desafios estavam diretamente relacionados ao objetivo pretendido para o equipamento: a utilização em locais de difícil acesso, onde a rede de distribuição de água não chega. "O sistema precisava ser compacto, eficiente e flexível no que diz respeito ao consumo energético, robusto – para aguentar vibrações e impactos no transporte – e de fácil manutenção, além do baixo custo", explica o pesquisador.

Para verificar diferentes possibilidades na busca da melhor solução, uma bancada experimental precisou ser construída e mais de 30 filtros foram testados, com a utilização de amostras de água com diferentes características.

A configuração final do equipamento – batizado de PW 5660 – utiliza três filtros (dois convencionais e o nanofiltro), pesa cerca de oito quilos e inclui uma bomba de grande eficiência que reduz a potência exigida e, assim, a energia necessária. Dessa forma, o abastecimento de energia pode ser feito tanto pela rede de energia elétrica, quando disponível, quanto por uma placa fotovoltaica acoplada ao equipamento. A estimativa de custo é de R$ 0,30 para cada mil litros de água potável produzida, e a previsão é que a manutenção precise ser feita a cada 100 mil litros produzidos, o que, para o uso familiar, deve representar cerca de três anos de utilização, segundo os responsáveis.

No início de dezembro, o projeto foi apresentado à World-Transforming Technologies (WTT), fundação latino-americana dedicada a conectar inovadores a oportunidades de impacto social, ambiental e econômico. A WTT integra a aliança "Água+ Acesso", iniciativa voltada à ampliação do acesso à água segura por comunidades rurais que é articulada e gerida pela Coca-Cola e conta com a participação de várias outras organizações.