FAPESP, GSK e Butantan inauguram sede de centro de pesquisa baseado em modelo de PPP

25 de julho de 2017

Foi inaugurada em 21 de julho a sede do Centro de Excelência para Descoberta de Alvos Moleculares (Centre of Excellence in New Target Discovery – CENTD).

Apoiado pela FAPESP e pela farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK), o CENTD tem como objetivo identificar novos alvos terapêuticos para doenças de base inflamatória, como osteoartrite, artrite reumatoide, câncer e doenças neurodegenerativas.

O Centro foi concebido no modelo de parceria público-privada (PPP) e aprovado no final de 2015, no âmbito do Programa FAPESP de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE). As atividades do grupo coordenado pela pesquisadora Ana Marisa Chudzinski-Tavassi tiveram início em fevereiro de 2016.

O projeto tem aporte financeiro de R$ 24 milhões: a FAPESP investe R$ 12,7 milhões e a GSK R$ 11,3 milhões para a compra de equipamentos, reagentes e contratação de pós-doutorandos. Em contrapartida, o Instituto Butantan fornecerá, ao longo dos cinco anos, toda a infraestrutura e os recursos humanos para a efetivação da pesquisa, o que equivale a aproximadamente mais R$ 33 milhões.

Isro Gloger, diretor do Programa Trust in Science da GSK, contou que há seis anos a farmacêutica decidiu explorar a ciência na América Latina e o Brasil foi considerado um parceiro prioritário pela alta quantidade e qualidade de sua produção científica.

“Tivemos a sorte de estabelecer a parceria com a FAPESP e juntos criamos uma PPP única, tendo a ciência como valor mais importante. Em 2015 tivemos a ideia de criar o centro de excelência e o Instituto Butantan apresentou uma proposta inovadora: estudar moléculas de venenos de serpente não para ver se curam, mas para entender como curam e, assim, buscar novos alvos para o desenvolvimento de fármacos”, contou.

O diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, afirmou que o projeto permite “avançar um passo” no relacionamento entre instituições de pesquisa e empresas. “Neste caso, por meio de parceria com uma empresa que atua com base na ciência e apoiando um projeto de pesquisa bastante ousado, que tem a possibilidade de durar até 10 anos”, destacou.

Na avaliação do secretário de Saúde do Estado de São Paulo, David Uip, o modelo de parceria adotado evidencia o objetivo fundamental da FAPESP para o Estado de São Paulo. “Acredito muito no modelo das PPPs. A indústria consegue fazer ciência de ótima qualidade e essa parceria no mundo moderno é absolutamente vital. Os governos não têm mais recursos para serem investidores isolados em pesquisa e ciência, a despeito de admitir que a pesquisa e a ciência são fundamentais em qualquer área de atuação. O Brasil passa por enorme crise e, neste momento, esse tipo de parceria consegue nos colocar na linha de vanguarda”, afirmou.

A nova sede do Centro ocupa uma área de aproximadamente 200 metros quadrados no primeiro prédio de alvenaria construído no Instituto Butantan. Conhecido como P-55, o imóvel teve a fachada restaurada e a parte interna totalmente remodelada.

“Essa parceria com a GSK e com a FAPESP é importante para estabelecer novas formas de colaboração científica, formar recursos humanos visando a inovação, ampliar a internacionalização e, sobretudo, para estabelecer formas de inovar para oferecer à sociedade melhorias”, destacou Marisa Chudzinski-Tavassi, coordenadora do Centro, durante a cerimônia de inauguração da sede.

De acordo com a coordenadora do CENTD, além de organizar a construção da nova sede e a importação dos equipamentos, a equipe do Centro se dedicou ao longo dos últimos meses a criar um repositório de moléculas naturais a serem testadas no âmbito do projeto – isoladas principalmente de venenos, toxinas e outras secreções animais.

“Esse tipo de molécula extraída de secreções animais adquiriu, ao longo da evolução, grande seletividade e especificidade para interagir com células humanas e isso nos permite uma abordagem mais direcionada. Em nosso instituto, a gama de toxinas que atua em processos imunoinflamatórios é vasta, assim como o conhecimento sobre os mecanismos de ação e a química dessas proteínas de veneno”, contou Chudzinski-Tavassi.

Segundo a pesquisadora, todos os compostos incluídos no biorrepositório passaram por rígido controle de qualidade e tiveram suas características bioquímicas e funcionais bem estudadas. “Precisamos ter tudo padronizado e a certeza de que cada uma dessas moléculas vai sempre se comportar da mesma maneira nos diferentes ensaios. Isso é essencial para garantir a reprodutibilidade dos achados. Também era preciso garantir quantidade suficiente dos compostos para testá-los nos diversos modelos de estudo em desenvolvimento”, explicou Chudzinski-Tavassi. Como o foco inicial do CENTD está em doenças artríticas e câncer, disse, foram desenvolvidos ao longo do primeiro ano de funcionamento do Centro modelos celulares que possibilitam testar o efeito das moléculas selecionadas nesse tipo de patologia. “A proposta é usar os compostos naturais como ferramentas para descobrir alvos moleculares drugable, ou seja, que podem ser modulados farmacologicamente em uma condição patológica. A partir dessas descobertas a GSK poderá fazer novas pesquisa para o desenvolvimento de fármacos”, disse Chudzinski-Tavassi.

Também participaram da cerimônia de inauguração Dimas Tadeu Covas, diretor do Instituto Butantan, Joanna Crellin, cônsul-geral britânica de São Paulo, e Wasim Mir, embaixador-adjunto do Reino Unido no Brasil. Estiveram presentes o vice-presidente da FAPESP, Eduardo Moacyr Krieger, e o diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, Carlos Américo Pacheco.

Para mais informações acesse http://agencia.fapesp.br/25734/.